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Perigo na mesa: Agrotóxicos colocam em risco a saúde dos brasileiros

Perigo na mesa: Agrotóxicos colocam em risco a saúde dos brasileiros

Um inimigo invisível que ataca lentamente, os agrotóxicos podem matar !

De acordo com a Abrasco (Associação Brasileira de Saúde Coletiva), em 2015, cada brasileiro consumiu cerca de sete litros de agrotóxicos. Nos primeiros 42 dias do governo Bolsonaro, foram liberados 57 novos registros de agrotóxicos e pesticidas. No Brasil, a tolerância de resíduos é muito maior que na União Europeia

Total de agrotóxicos registrados – por ano

https://infogram.com/total-de-agrotoxicos-registrados-por-ano-1h7z2llj78xx2ow

 

A Bayern, gigante alemã do comércio farmacêutico, assumiu uma enorme fatia do mercado de sementes, fertilizantes e pesticidas no mundo após a compra da Monsanto. O Brasil é o segundo maior mercado agrícola da empresa.

Nos sites de órgãos governamentais de saúde, os riscos de consumir agrotóxicos geralmente não são explicitamente destacados, entretanto é muito comum encontrar orientações para evitar o consumo dos pesticidas. Na página da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), um artigo com nome de “Risco no consumo de frutas e hortaliças com agrotóxicos” orienta a população a sempre lavar bem os alimentos e explica pontos técnicos do tema, como as quantidades de pesticidas que podem ser consumidas sem danos à saúde.

Agrotóxicos podem matar lentamente – Fernando Frazão/Agência Brasil

 

O texto também explica que, “de acordo com os conhecimentos científicos atuais, se ingerirmos quantidades dentro dos valores diários aceitáveis (IDA) não sofreremos nenhum dano à saúde. Existem estudos que indicam que, se ultrapassarmos essas quantidades, as consequências poderão variar desde sintomas como dores de cabeça, alergia e coceiras até distúrbios do sistema nervoso central ou câncer, nos casos mais graves de exposição, como é o caso dos trabalhadores rurais”.

Além da fronteira, pesquisadores e ativistas denunciam a alta no consumo de agrotóxicos no País e como isso pode prejudicar o desenvolvimento da saúde e do bem-estar da população.

“O Brasil é o mercado do futuro para os agrotóxicos. Os Estados Unidos já parecem ter atingido seu limite de liberações, e a sociedade da União Europeia não está disposta a tolerar mais agrotóxicos. Países como China e Índia também já estão mais conscientes. No Brasil, porém, a sociedade em geral não parece fazer tanta pressão”, afirma Christian Russau, cientista política e denunciante de crimes contra o meio ambiente.

“E o Brasil ainda tem um governo de extrema direita despreocupado com o meio ambiente e uma bancada ruralista muito forte, que pressiona o governo para conseguir cada vez mais liberações”, completa Russau.

Agrotóxicos encurtam vida das abelhas

Um estudo apoiado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do estado de São Paulo), investiga o fato de que diversas espécies de abelhas estão sumindo no mundo todo. No Brasil, o fenômeno tem sido observado pelo menos desde 2005 e está diretamente ligado ao uso de agrotóxicos, diz o professor Osmar Malaspina, pesquisador do Centro de Estudos de Insetos Sociais do Instituto de Biociências da Unesp à Agência Fapesp.

Abelhas em produção de mel – Acervo gratuito/Pexel

 

De acordo com os estudos, quando não aplicado em doses letais, os pesticidas podem encurtar em até 50% a vida dos insetos. Outro fato apontado na pesquisa é o de que uma substância fungicida – veneno para fungos – que era considerada inofensiva para as abelhas mudou o comportamento das operárias, colocando-as em sono profundo, circunstância perigosa para o desenvolvimento da comunidade.

Para os pesquisadores, os efeitos do fungicida podem ser um dos principais fatores para a extinção global dos insetos.

Posição do governo brasileiro

Desde antes de assumir o comando da República, membros do governo associados à bancada ruralista já faziam menções às futuras políticas ambientais brasileiras A bancada, pejorativamente conhecida como bancada do boi, é formada por parlamentares que defendem os interesses de proprietários rurais. Após assumir, a defesa dos pesticidas foi abertamente debatida. Em uma audiência na Câmara dos Deputados no início de abril, a ministra da Agricultura Tereza Cristina falou sobre os projetos envolvendo o veneno e o desaparecimento de abelhas no Brasil. Confira abaixo:

O presidente Michel Temer recebendo membros da bancada ruralista em Brasília (Antonio Cruz/Agência Brasil)

 

A ministra também defendeu o projeto de Lei 6.299, de 2002, que é definido como uma modernização das normas de liberação de agrotóxicos no Brasil. No projeto, o Ministério da Agricultura ganha o poder de liberar o uso de defensivos agrícolas mesmo sem a avaliação de órgãos como a Anvisa.

“Nesse projeto não existe colocar mais veneno, tudo isso é balela, falácia, palanque político…”, diz.

Em janeiro, a pasta pediu a liberação de mais de 131 agrotóxicos. O pedido foi protocolado na seção 1 do Diário Oficial da União no dia 18 daquele mês.

Veja a lista completa aqui.

408108374-Solicitacao-de-liberacao-de-agrotoxicos

 

É possível reduzir ou acabar com o uso de agrotóxicos no Brasil?

Em 2016, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto de Lei Nº 6.670, que Institui a Política Nacional para a Redução do Uso de Agrotóxicos (PNARA). A lei também cria o Sistema Nacional de Informações sobre Agrotóxicos e Agentes de Controle Biológico (SINAG).

O principal objetivo da mudança é reduzir o uso de agrotóxicos na agricultura brasileira “visando minimizar os riscos à saúde pública e à saúde ocupacional dos trabalhadores, e os riscos ao meio ambiente, à vida selvagem e à contaminação das águas e do solo”, conforme descrito no relatório final do decreto.

Outro ponto defendido pelo projeto é a valorização do comércio de produtos orgânicos, a ampliação de pelo menos 30% na distribuição de cada verduras, hortaliças e frutas orgânicas, que são cultivadas sem a adição de agrotóxicos.

Segundo o Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), com mais de 15 mil propriedades certificadas e/ou em processo de transição – destes, 75% pertencentes a agricultores familiares – o Brasil está se consolidando como produtor e exportador de alimentos orgânicos.

“Uma tendência mundial são os negócios verdes, ou seja, os empreendimentos sustentáveis que tenham atividades de produção e distribuição baseadas em um desenvolvimento socioambiental que promova melhorias nas comunidades e a sustentabilidade das presentes e futuras gerações”, informa um dos textos publicados na página do Sebrae

Em contrapartida ao comércio de produtos orgânicos, entre os anos de 2000 e 2015, uma pesquisa revelou dados sobre o crescimento na comercialização de agrotóxicos e pesticidas no Brasil.

A tabela abaixo mostra a quantidade, em toneladas, de defensivos agrícolas vendidos no País.

Ano Vendas (toneladas de produto comercial) Crescimento anual Crescimento Acumulado desde 2000 Vendas (bilhões de US$) Crescimento anual Crescimento Acumulado desde 2000
2000 313.824 2.500
2001 328.413 4,65% 4,65% 2,287 -8,50% -8,50%
2002 306.583 -6,65% -2,31% 1,952 -14,68% -21,93%
2003 376.077 22,67% 19,84% 3,136 60,69% 25,46%
2004 463.604 23,27% 47,73% 4,495 43,32% 79,80%
2005 485.969 4,82% 54,85% 4,244 -5,59% 69,75%
2006 480.120 -1,20% 52,99% 3,920 -7,63% 56,80%
2007 599.834 24,93% 91,14% 5,372 37,05% 114,88%
2008 673.892 12,35% 114,74% 7,125 32,64% 185,01%
2009 725.577 7,67% 131,21% 6,626 -7,01% 165,03%
2010 708.593 -2,34% 125,79% 7,304 10,24% 192,16%
2011 730.628 3,11% 132,81% 8,488 16,21% 239,52%
2012 823.226 12,67% 162,32% 9,710 14,40% 288,41%
2013 902.409 9,62% 187,55% 11,454 20,4% 368%
2014 914.220 1,31% 191,31 % 12,248 4,2% 388%
2015 887.872 -2,9% 182,92 % 9,6 -21,56% 284%
Fonte: SINDAG/Sindiveg. Elaboração: Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida.

O atual presidente até agora não parece nada preocupado com o assunto “Meio ambiente”. E o Ministro Ricardo Salles, indo no mesmo embalo!

 

Colaborador Pedro H. Ribeiro

 

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