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Comunicação com cara de Paulista aos domingos

Comunicação com cara de Paulista aos domingos

Rodrigo Padron é jornalista, professor, empresário, paulistano e corintiano

São Paulo sempre foi uma Avenida Paulista aos domingos. É assim que eu a vejo. E isso me ajuda a explicar o que a cidade tem representado para a comunicação nas últimas décadas.

A maior capital latino-americana tem sido, ao mesmo, tempo o berço e o palco das grandes ideias, que levaram marcas ao status de ícones, alteraram comportamentos, criaram modas e estabeleceram tendências. Mais que isso: transformaram a vida das pessoas. Uma espécie de centro e referência para a comunicação no país.

Explicando a expressão “uma Paulista aos domingos”, a cidade tem perfil cosmopolita. Pessoas diferentes – e com apetites e interesses distintos -, se encontrando o tempo todo. Um espaço de acolhimento, de diversidade. São Paulo é multicultural. Somada a isso, a concentração de grande parte dos negócios do país. São grandes empresas, universidades, mídia e agências.

Entre tantas influências, certamente, uma das mais relevantes é a italiana. A capital paulista é a terceira cidade com maior número de imigrantes italianos no mundo. A presença deles trouxe diversos hábitos que se tornaram tão intrínsecos para a nossa cultura que sequer nos damos conta. Da nossa maneira de falar, um sotaque que não conseguimos esconder, ao uso do “tchau” (ciao). A influência se faz presente nos hábitos culinários, como spaghetti, na música, na moda, nos times de futebol e por aí vai.

Se italianos merecem destaque, não podemos deixar de mencionar os espanhóis, os portugueses, os japoneses e tantos outros, apenas para citar algumas referências estrangeiras. Incluímos aí nessa lista brasileiros de toda parte e acentos, sempre bem-vindos. O resultado dessa miscigenação é uma riqueza imensurável de cultura e ideias. Fontes, absolutamente, prósperas para a comunicação.

Nomes como o do baiano Nizan Guanaes, do mineiro João Rodarte, do espanhol José Zaragoza e “paulistanos da gema”, como os premiadíssimos Washington Olivetto e Marcello Serpa, buscaram nessas fontes inspirações para criar e assinar suas obras. Muitas delas premiadas nacionalmente e lá fora nos festivais mais relevantes, como Cannes.

Podemos dizer que boa parte das campanhas e dos programas criados por eles refletiram, de alguma forma, o estilo de vida da cidade, um jeito que mistura criatividade, improviso, formalidade e bom-humor. Uma espécie de universo das tribos, que carrega uma interpretação além de territórios físicos imaginários. Como se o mundo pudesse se encontrar aqui, como na Avenida Paulista aos domingos.

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